quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Brasil Central Music - Festivais Independentes no Interior


Brasil Central Music - Goiânia/GO - 17/11/2010
Mesa 03: Festivais Independentes no Interior
Participantes: Ricardo Rodrigues (Festival Contato – São Carlos/SP), Tião Donato (Goiaba Rock – Inhumas/GO) e Talles Lopes (Jambolada – Uberlândia/MG)

Ricardo inicia a mesa falando sobre a origem do Contato, um festival apoiado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). A universidade tinha poucas ações culturais na cidade, e a partir de uma mudança política, se viram estimulados e investiram ações de comunicação, como a Rádio e o Cine UFSCAR. Os dois projetos passaram a fomentar a cena local, e o festival surgiu naturalmente como uma necessidade de catalisar todo esse movimento da cena local.

Ainda evidencia que dentro do festival surgem ações que passam a fomentar a cidade durante o ano inteiro, e não somente no período do festival, como foi o caso do Massa Coletiva, coletivo de produção cultural atuante da cidade que surgiu em grande parte por mérito do Contato, e que hoje também se dedica ao fomento de outros coletivos pelo interior do estado através da rede Fora do Eixo;

Tião Donato ao falar do Goiaba Rock, se diz já contemplado em muitas das falas do Ricardo sobre a estruturação do festival, o que o leva a concluir que as realidades dos festivais do interior são muito semelhantes, independente de que região do país se encontre.

Hoje o Goiaba Rock tornou-se um Ponto de Cultura do Governo Federal, o que os possibilitou investir na estrutura do festival e no crescimento da transversalidade com outras artes.

Talles Lopes faz uma contextualização histórica dos festivais, desde os anos 60, dos antigos formatos de festivais de competição de compositores, festivais esses que revelaram ao Brasil grandes nomes da música popular que são ícones até os tempos atuais. Mas os eventos nesses moldes se extinguem após metade da década de 80, e o nome festival só volta a ganhar força novamente no final da década de 90, mas agora com um outro formato, de ser um apresentador de uma safra de músicos e bandas que estavam de fora do que era apresentado nas mídias de massa, que tinham um compromisso local e tentava ocupar de certa forma o lugar das gravadoras e das rádios, que vinham entrando em crise.

Em 2005, durante o festival Goiânia Noise, surge então a Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes), entidade que foi ganhando musculatura e hoje ocupa importante posição nos âmbitos de discussão de políticas públicas culturais.

Talles ainda aborda as vantagens e desvantagens de se fazer um festival em cidades do interior. Uma das desvantagens claras é o provincianismo, que leva o preconceito aos termos do rock ou da música independente, dificultando o encontro de parceiros que apostem investir no festival. Mas em compensação, existem a vantagens, como a carência de eventos culturais locais que podem dar grande possibilidade da ação se tornar protagonista na cidade, além das redes pessoais em cidades do interior serem menores e mais curtas, o que permite que um produtor possa chegar com mais facilidade à um diálogo com o poder público. Importante ponto levantado para Minas, que é um dos estados com o maior número de festivais independentes que se encontram em pleno momento de expansão.

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